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Quinta, 09 de Novembro de 2017
Fonte: A Folha de São Paulo
 
A crise dos últimos anos foi um teste de fogo para o sistema cooperativo brasileiro.
Em um ambiente de restrição em que bancos fecharam as torneiras e chegaram a cortar até um quarto do
crédito concedido a micro, pequenas e médias empresas entre 2014 e 2016, o sistema cooperativo viu sua
carteira voltada à pessoa jurídica crescer até 26% no mesmo período.
A comparação dos sistemas é parte de um levantamento da consultoria Roland Berger.
Os juros cobrados pelos empréstimos a esse público também foram um diferencial entre as cooperativas.
No cartão de crédito, por exemplo, a taxa média cobrada por cooperativas foi a metade do juro de bancos
grandes e médios no ano passado. No cheque especial, a diferença em favor das cooperativas foi ainda
maior.
 Durante a crise, o estudo diz que bancos tradicionais reduziram o crédito a pequenas e médias empresas,
buscando negócios menos arriscados e mais rentáveis.
Entre as cooperativas, as concessões subiram, mas não de forma indiscriminada. A previsão, diz a
consultoria, é que elas mantenham o ritmo mais forte também neste ano.
"As cooperativas têm um maior conhecimento dos clientes e seus riscos, por isso foi possível crescer sem
aumentar a inadimplência", afirma Antonio Bernardo, presidente da Roland Berger.
Na Unicred, cooperativa focada em profissionais da área de saúde, por exemplo, a inadimplência está em
2,6%, em relação a uma média de 5% do setor bancário, diz seu diretor executivo, Fernando Fagundes.
CONSOLIDAÇÃO
Segundo o estudo, uma fusão entre cooperativas teria o potencial de aumentar a competição no mercado
de crédito, atendendo a um desejo do próprio regulador.
De forma agregada, o sistema cooperativo é hoje o sexto maior banco brasileiro, com R$ 177 bilhões em
ativos.
A fusão, mostra o levantamento, poderia dar origem ao quinto maior banco. Hoje, Sicoob e Sicredi
respondem por 85% do segmento cooperativo. "Como não há a menor possibilidade hoje de ter um novo
entrante no mercado bancário, a fusão de cooperativas pode ser a chance de dinamizar a concorrência",
diz o diretor financeiro da Roland Berger, Wander Azevedo.
Para a consultoria, a consolidação melhoraria aspectos do sistema cooperativo, como agências pouco
eficientes e baixa digitalização.
Fagundes, da Unicred, reconhece que os ganhos seriam enormes, em linha com o mercado internacional.
O francês Crédit Agricole e o holandês Rabobank, por exemplo, nasceram de cooperativas. Mas a união,
diz Fagundes, estaria longe de acontecer no Brasil.
João Tavares, presidente do Sicredi, lembra que cada uma das cooperativas tem um jeito de atuar, com
estruturas de governança diferentes.
O assunto, no entanto, já é debatido no âmbito da OCB, a organização das cooperativas. Francisco
Reposse Júnior, diretor do Sicoob, revela que as primeiras ações nesse sentido devem ser de
compartilhamento de comunicação e de tecnologia.
Com 3,7 milhões de cooperados concentrados na área rural, o Sicoob é o maior sistema cooperativo do
país.
Em linha com o estudo, Reposse Júnior espera expansão de 9% do crédito em 2017. Além disso, diz ele,
desde junho de 2016, o Sicoob abriu 146 agências e prevê inaugurações em Minas, Paraná e Rio Grande
do Sul.
MENOS IMPOSTOS
Assim como os bancos, o sistema cooperativo também é regulado pelo Banco Central, com peculiaridades.
Para acessar as linhas de crédito e produtos oferecidos pelas cooperativas, o cooperado precisa comprar
uma cota no negócio e participar das decisões de forma semelhante às reuniões de um condomínio —o
que não é exigido por um banco comum.
O regime tributário das cooperativas também difere dos bancos. Elas não pagam tributos como PIS, Cofins
e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).
No início do ano, o governo igualou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de cooperativas e
bancos.
Para Azevedo, da Roland Berger, a tributação diferenciada não seria o principal fator a permitir juros
menores entre cooperativas.
"Como elas não precisam dar retorno gigantesco porque não têm ações, conseguem adotar uma taxa mais
ajustada para ter sustentabilidade do negócio. Procurados, os bancos não comentaram.

Postado por
Verônica

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